
Nesta quinta-feira (13), 15 mulheres amazônidas que trabalham com bioeconomia tiveram o reconhecimento do seu produto a partir da certificação do “Selo Amazônia Mulher”, uma iniciativa da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra). O evento “Selo Amazônia Mulher: equidade na bioeconomia regional, destaque na Cop 30” ocorreu no stand do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Pará (CREA/PA) na Greenzone, área da Cop localizada no Parque da Cidade.

Thais Braga, professora da Ufra
Segundo a professora Thais Braga, coordenadora do projeto Selo Mulher, a certificação comprova que o produto comercializado por essas mulheres vem de uma cadeia produtiva da bioeconomia.
“Então a gente consegue empoderar essa mulher através da valorização e do reconhecimento do produto dela. O selo chancela que aquela mulher utiliza da matéria-prima local para gerar o produto dela final e que aquele produto é feito por uma mulher amazônida na Amazônia. Então isso já dá todo um case de diferencial no produto dela, valorizando e agregando valor”, explica.
O projeto "Selo Mulher" é uma iniciativa com foco em ações de bioeconomia, visando fortalecer o papel de mulheres que vivem e trabalham no interior do Pará. O principal objetivo é criar uma rede de apoio e valorização conectando produtoras, artesãs e empreendedoras que atuam na bioeconomia amazônica. E servir de vitrine para o trabalho desenvolvido por essas mulheres no estado.
Três subselos do Amazônia Mulher estão disponíveis: Bioeconomia sustentável, governança e social. Os selos alcançaram mulheres de todas as regiões de integração do Pará e certificam os mais diversos tipos de serviços. Segundo Thais Braga, mais 380 mulheres de todo o estado estão inscritas e aptas a receber o selo.
Uma das certificadas foi Mônica Moura, representando a Associação de mulheres da Amazônia (AMA). A associação tem 19 anos de existência e já capacitou quase 300 mulheres na área de biojoias.
“Nós temos um trabalho na educação e empreendedorismo feminino, em que nós capacitamos mulheres da bioeconomia. O selo mulher Amazônia veio realmente reconhecer o empreendedorismo feminino da mulher amazônida. Que possamos cada dia mais motivar as mulheres a construir, que ela venha a florescer”, diz Mônica, que também é presidente fundadora da AMA.

O evento contou com a participação da reitora pró-tempore da Ufra, professora Janae Gonçalves; a presidente do Crea/PA, Adriana Falconeri; a Secretária de estado das mulheres, Ana Paula Silva Gomes de Freitas e o presidente da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), Marcel Botelho.
“Que esse seja um dos vários projetos que virão e possamos crescer cada vez mais. A universidade culpre o papel dela, por meio do trabalho cientifico a partir de iniciativas como essa”, disse Janae Gonçalves.
Para a Secretária de estado das mulheres, Ana Paula Silva Gomes de Freitas, o empreendedorismo é uma forma estratégica para que as mulheres ocupem lugares que não ocupavam antes e que possam mudar ciclos de violência e ter autonomia.
“É sobre as mulheres que recai toda a tarefa de cuidado. Parcerias como essas ajudam a levar esse reconhecimento às mulheres nos mais diversos territórios, não tem como pensar em justiça climática sem pensar no enfrentamento da crise social, as mulheres são as que mais sofrem com a falta de políticas e a falta de acesso. Precisamos que nas grandes decisões se olhem pra Amazônia de forma diferente, para que possamos cuidar de quem está cuidando da floresta”, diz.
Para mais informações sobre o selo:
Texto: Vanessa Monteiro, jornalista, Ascom Ufra
Fotos: Bruno Chaves, jornalista, Ascom Ufra