
Ufra apresenta experiência agroecológica na Bluezone
A experiência e resultados de agroecologia na pan-amazônia serão apresentados nesta terça-feira (18) pela Rede Territórios Amazônicos (TEAMAZ) no espaço da Bluezone, uma das áreas dos mais restritas da Conferência das Partes (Cop 30), que ocorre em Belém.
A Rede Teamaz é coordenada pelo professor Gabriel Resque, da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra/Isarh) e conta com cerca de 15 instituições da Pan-Amazônia e Europa. A partir das 14h a Rede organiza a mesa “Laboratórios florestais vivos na América Tropical: Como os povos e comunidades tradicionais defendem, regeneram e reinventam suas florestas”. O evento ocorre no pavilhão da França na Bluezone.

O professor Gabriel Resque, que atua principalmente na área de agroecologia e de agroecossistemas amazônicos, explica que a ideia da rede é trabalhar, por meio de diferentes projetos, o desenvolvimento territorial em contato próximo dos atores do território. “O objetivo é justamente trazer um pouco dessa experiência do contato entre pesquisa e ação. Como que a gente, enquanto instituição de ensino e pesquisa, trabalha junto com atores do território. A Rede serve para aproximar o trabalho feito por estas instituições e o trabalho de quem está na linha de frente das ações, que são os agricultores, os quilombolas, os indígenas”, diz.
A mesa será conduzida pela pesquisadora Emilie Coudel, do Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (CIRAD), organização francesa integrante da Rede. O evento vai contar com falas de pesquisadoras, estudantes e da agricultora Rosileia Andrade, ribeirinha e doutoranda da Universidade Federal do Pará (Ufpa).
O professor Gabriel Resque explica que é fundamental garantir essa diversidade de falas, e em especial que a Bluezone tenha a presença de atores mais diretamente ligados a questões climáticas na Amazônia, como os agricultores. “Aqui é um espaço de decisão e essa decisão só pode ser tomada se trouxermos para a voz de quem de fato está encarando no dia a dia os problemas climáticos e que estão relacionados com problemas socioeconômicos”, afirma.
No evento, o grupo também irá lançar o “Manifesto para recuperação da floresta e valorização da vida na Amazônia”, documento construído de forma colaborativa, entre pesquisadores e agricultores, por meio do projeto Refloramaz, que compõe a rede. “O lançamento oficial do manifesto vai ser na COP, mas o manifesto está disponível para assinatura de qualquer pessoa que tenha interesse e concordar com o que estamos colocando aqui”, diz.
Interessados em assinar o manifesto, podem acessar os seguintes links:
Link do Manifesto em português: https://tinyurl.com/manifestorefloramaz
Link em inglês: https://tinyurl.com/manifestorefloramazeng
Rede TEAMAZ
Inicialmente formada por Ufpa, Embrapa, Cirad e Ufra, Rede Territórios Amazônicos (TEAMAZ) passou por um processo de expansão e conta hoje com cerca de 15 instituições da Europa e da Pan-Amazônia.
É uma rede de pesquisa-ação e formação acadêmica e profissional, que visa conectar iniciativas territoriais na busca de caminhos para o desenvolvimento sustentável da região amazônica.

As ações da Rede se desenvolvem tanto na Amazônia brasileira, quanto na Amazônia colombiana, Equador, Peru e algumas outras ações pontuais de outros países.
“A rede é composta por ações e projetos no qual a gente busca propor de forma co-construída com as ideias e do das percepções dos atores locais, trazer resultados práticos para as comunidades. E o fato das ações serem construídas de forma colaborativa é uma forma de assegurarmos que o que estamos fazendo vem de fora para dentro das comunidades. Mas parte de dentro, de forma colaborativa chegar a um resultado”, diz Gabriel Resque.
As atividades incluem uma série de formações realizadas com atores acadêmicos e do territórios, realização de eventos, intercâmbios, e a implementação de sistemas de plantio agroflorestais, além de outras ações com viés agroecológico.
“A partir da rede, nós conseguimos realizar intercâmbios entre agricultores da Amazônia brasileira com a Amazônia colombiana. E também alguns intercâmbios de colegas europeus que vem conhecer a realidade da Amazônia, assim como agricultores e estudantes já foram também conhecer a realidade da Europa, principalmente da França”, diz.
O professor explica que é interesse dos dois países ter essa troca. “Existem nos diferentes países que compõem a rede uma série de projetos e iniciativas interessantes sendo conduzidas pelos parceiros da rede. Conseguir estreitar laços entre esses países acaba sendo algo enriquecedor para todos os lados”, finaliza.
Texto: Vanessa Monteiro, jornalista, Ascom Ufra