
Uma tecnologia que dá certo e que garante água potável a partir da captação da água da chuva. É isso que a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) vai mostrar na “Casa do Saneamento”, espaço da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) destinado ao diálogo e cooperação para enfrentar os desafios do saneamento, da saúde e da crise climática. O local, instalado na sede da Funasa, em Belém, vai funcionar durante todo o período da Cop 30 em Belém (PA). Desenvolvido pela professora Vania Neu (ISARH/Ufra) e criado inicialmente para garantir água potável à ribeirinhos, o projeto se expandiu e agora passou a ser implantado também em territórios indígenas.
O convite para integrar a Casa do Saneamento foi uma sugestão do Ministério do Meio Ambiente e do Clima, a partir da experiência exitosa na aldeia indígena Herekohaw, localizada no município de Santa Luzia, no Pará. Na aldeia, foram implantadas três cisternas, financiadas pelo MMA e executadas pela Ufra, e que passaram a beneficiar cerca de 40 indígenas. Uma quarta cisterna também foi implantada pelos pesquisadores na “Escola Estadual Indígena de Ensino Fundamental e Médio Itapuyr”, que atende crianças e adolescentes de outras quatro aldeias Tembé no mesmo município. “Nós fomos reconhecidos como protagonistas, como uma instituição que desenvolveu tecnologias que possuem grande relevância para a sociedade e que são adaptativas diante de um contexto de mudanças climáticas”, diz a pesquisadora.
O sistema
O Sistema de Captação de água da chuva é uma tecnologia social que não necessita de energia elétrica ou bomba d’água, funcionando a partir da gravidade. A água é captada por meio de calhas no telhado e armazenada em reservatórios para consumo humano.
Na Casa do Saneamento, os visitantes vão poder ver de perto o protótipo sobre como funciona a captação de água da chuva, além de conhecer as adaptações e melhorias do sistema instalado na aldeia Herekohaw. A professora explica que, ao longo do tempo, a tecnologia foi aperfeiçoada e se antes era necessário que o morador adicionasse uma dose de hipoclorito, para garantir a potabilidade da água, agora o sistema tem “cloradores”, o que facilita o tratamento.
“Em outras experiências nós percebemos que alguns moradores esqueciam ou negligenciavam o uso do hipoclorito, necessário para eliminar microrganismos patogênicos. Nesse novo sistema, teremos um reservatório grande para o armazenamento da água clorada, que posteriormente passará por filtragem com carvão ativado antes do consumo. Desse modo, teremos a garantia de que a água não terá gosto, além de remover o excesso de cloro”, explica a professora. “O sistema é uma tecnologia social de baixo custo, adaptado à realidade amazônica e pode ser replicado ao redor do mundo”, finaliza.
Texto: Vanessa Monteiro, jornalista, Ascom Ufra